segunda-feira, 5 de junho de 2017

...Ferraria, ferreiro, forja...

Como vidro o metal se quebrou
Tantos fragmentos que não pude contar
Talvez a ausência de batalhas
Talvez o tempo de paz
Mas ser feliz para aqueles que brandem a espada

Não passa de ilusão
Assim, tornam a forja
Pois o mesmo martelo que quebra o vidro, forja o aço
Queimando, aquecendo a ponto do metal tornar-se laranja
Tento, com todas as forças e a pouca sabedoria, que lutei para ter em mim
Unir novamente o metal
O martelo bate
A forja aquece
As runas que haviam na espada somem
Tudo ao zero, tudo do zero
E mesmo com o maior cuidado que posso ter, ainda me queimo
Espero pacientemente o metal tomar forma
Aquecendo e esfriando
Esfriando e tornando a aquecer
Como qualquer guerreiro me lembrei
Mesmo assim, ainda só
Em meu caminho, em minhas batalhas
Não durará muito
Pois aqueles olhos rajados, viram me buscar
Apresso-me a forjar a única arma que tenho
Reparando meu coração
E às vezes sinto que sacrificando, mesmo que seja um pouco, minha alma
Não posso perder
Não devo perder
Não vou perder
Tomo para mim a responsabilidade
De reforjar
E mais uma vez ir de encontro
Àqueles olhos rajados
Não há outro caminho, mais uma vez, serei eu ou ele.

domingo, 28 de maio de 2017

...Foices...

Você não entende?!
A morte olhou-me nos olhos
Fria como um leão
Brandindo sua foice
Fazendo-a reluzir
E a cada passo
Abstrato
Verdadeira
Ou filosófica
Entenda como quiser!
Desejando
Ansiando
Ceifar
Abortar minha existência
Em meio a cedros mortos
Sobre a terra queimada
Caminhava como um deus
Sorria, ironicamente
Jurando
Achando
Ou com a certeza de minha fuga
Mas não pude
Aquela voz
Sempre aquela voz
Não sei se vontade, instinto
Ou mera teimosia
Aquela mesma voz me lembrava
O juramento
Que jamais
Tendo a terra sob meus pés
E aquele tesouro enraizado em mim
Jamais
Deixaria de erguer
Me levantar
Mesmo que a dor fosse insuportável
Ainda faria o que pudesse
Jamais
Nunca mais
Realmente você não entende!
Não foi só um sonho
Ou meu próprio desespero
Mais uma vez pude vê-la
Mais uma vez ela olhou diretamente em meus olhos
E tive que enfrentar
Porque jamais deixarei de levantar meus punhos
Erguer minha cabeça
Ou afiar meu coração
E deixar de lutar
Ela voltará, até que um dia não possa ou tenha forças
Para afrontar seu nefasto desejo
E mais uma vez dizer: Hoje não!
Não será neste dia
Assim, talvez você não entenda!
Mas, até a próxima vez, que sei que me olhará
Friamente, com esses olhos prontos a me dilacerar
Olhos de um leão desejando sangue
Olhos vermelhos, rajados com tanto ódio
Sem ponto
Vírgula
Ou letras coerentes
Voltará a tentar, com um método ainda mais cruel
Sei que pensas como um mero homem
Criança
Ou macaco
Pode se colocar entre eu e meu desejo
Só posso responder
Obrigado por ensinar-me
Como mais cruel e ainda assim professor
Como um anjo que só sabe destruir
Como a morte
Que me força a lutar pela vida

terça-feira, 9 de maio de 2017

...Enfim a Escuridão me Encontrou...





Enfim a escuridão me encontrou
Rasgando, devorando quem sou
Deixando um vazio que outrora chamei de amor
Sem explicação
Sem razão
Imerso a esta dor retorno às lagrimas
Meu tesouro passado
Lembranças perdidas
Estradas de sombras a tanto esquecidas

Enfim a escuridão revelou
A miséria de mais um perdedor
Caído
Dilacerado
Envergonhado
Diante de sua missão
Não pode proteger ao menos um coração
O meu
O seu
Derrotado, caminho sem rumo
Às margens de um sussurro

Enfim a escuridão destruiu
Os sonhos que ardiam em mim
Sem volta
Resta apenas andar
Ecoando sua voz fria no ar
Perdido sem lar
Pois enfim a escuridão me encontrou

E sorrateira como a morte minha alma levou

segunda-feira, 8 de maio de 2017

...Superar...




É, pequeno, que vontade de te abraçar e dizer que te amo, que jamais irei embora, pois eu sou sua família, agradecer a sua força e coragem, pois graças a você, Thiaguinho, me tornei quem eu sou hoje. E mesmo com esses olhos tristes e perdidos, pois só nós dois sabemos o que pensávamos, enfrentamos e vencemos toda a dor e agonia. Hoje eu posso dizer, que não nos tornamos uma pessoa diferente, mas crescemos e nos tornamos um, sua força, a minha paciência, sua alegria e o meu caráter. Te amo pra sempre, meu eu mesmo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

...Pintor tetraplégico se supera no 5º dia em Exposição Virtual...

Demonstrando sua arte, Thiago, tetraplégico desde os 8 anos de idade e artista plástico com a boca da APBP, demonstra seus quadros e um pouco de sua história.

Olhos sobre o Luar - Acrílica sobre Tela - 30x40

Água e Sombra fresca - Acrílica sobre Tela - 30x40

Diversão em Primavera - Acrílica sobre Tela - 30x40


Vou contar um pouco da minha história.
Faltando dois meses para eu completar 9 anos, fui atropelado e fiquei tetraplégico, na época nem um dos médicos que cuidavam de mim acreditavam que eu pudesse sobreviver, eu tinha apenas 1% de chance ou menos, graças a Deus e à minha vó (que não saiu do meu lado um minuto sequer) venci esta batalha,  morei 1 ano e 4 meses em hospitais em BH onde vivíamos e aonde fui atropelado, como já mencionei.
            Mesmo com toda dificuldade quero viver e lutar até quando Deus me permitir, pensando em ajudar todos aqueles que estão passando pelo que eu já passei, escrevi um livro (Esperança sem Fim), e graças à um amigo, irmão, pude conhecer as artes plásticas. Hoje estudando e sendo bolsista da APBP, tento alcançar meus sonhos que não param de nascer.
           
            Apenas quero aproveitar a oportunidade para agradecer, a vida, por me ensinar que posso alcançar os meus sonhos sendo justo, sendo forte, agradecer a todos que me acompanharam, graças a vocês sou o que sou, graças a vocês posso ser quem quero ser, agradecer acima de tudo à Deus, apenas nosso coração e nossa mente consegue alcançar todo ensinamento, superar toda a dor, elevar, transcender, transformar barreiras em um grande sonho, de ser vivido.

Todos os direitos autorais são reservados à Associação dos Pintores com a Boca e os Pés

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

...Um grande artista apresenta-se no 4º dia da 2ª Edição da Exposição Virtual, Márcio Alcântara, pintor com a boca da APBP...

Com um realismo que impressiona, Márcio Alcântara, pintor com a boca da APBP, expõe sua arte e sua história de maneiras magníficas.


                                  Seu Dorval - Acrílica sobre Tela - 30x40
                                            Traineira de pesca - Óleo sobre Tela - 30x40
Natureza Morta - Acrílica sobre Tela - 30x40
Confira um pouco da história do nosso artista:
Nasci na cidade de Campina Grande PB, e com sete meses de vida vim morar no Rio de Janeiro com meus pais, comecei a trabalhar aos doze anos de idade como ajudante de mecânico, com dezoito anos fui para o Exército, e com vinte anos dei baixa no Serviço Militar para seguir uma nova profissão, seis meses após ter dado baixa no Exército.
Sofri um acidente de moto após reagir a um assalto, e, na tentativa de fugir dos assaltantes, acabei batendo de frente com a moto no carro, na saída de uma festa em 19 de Julho de 1993. Na batida, quebrei as vértebras Cervicais C5 e C6 e vindo a ficar tetraplégico, também quebrei o Fêmur em dois lugares, tive Traumatismo Craniano sendo socorrido pelos Bombeiros, fui operado na Cervical e os médicos colocaram uma haste de Titânio com cinco parafusos para imobilizar as vértebras quebradas, outra haste no Fêmur com doze parafusos, enxerto ósseo na cabeça por causa do afundamento Craniano e tive um lado do pulmão paralisado na época.

Nesses vinte e três anos de tetraplegia tive que reaprender a ver a vida com outros olhos, o que eu tinha aprendido antes, foi tudo perdido por falta dos movimentos de pernas, braços e principalmente das mãos.

Depois do acidente fiquei dependente da minha mãe e amigos que fui conhecendo ao longo dos anos, confesso que são poucos amigos, e, desses, dá para contar nos dedos os que são verdadeiros.

Histórico na pintura com a Boca

O conhecimento da pintura com a boca me foi trazido através do amigo Jefferson Maia, que já conhecia há alguns anos e me influenciou com isso.

Jefferson, que é pintor bolsista da Associação de Pintores com a Boca e os Pés, me convidava para ver ele pintando, para mostrar como era por várias vezes, e eu resistia por passar a maior parte do tempo deitado pela dependência constante de  ajuda para sair de casa; com isso fui adiando o encontro.

Mas sempre amante de pintura em tela desde criança, e com tantas limitações, nunca acreditei que um tetraplégico seria capaz de pintar, até que finalmente eu pude ver o Jefferson pintando com a boca - confesso que aí passei a acreditar que tudo é possível quando se tem força de vontade e coragem para ultrapassar os medos do impossível.

Então tudo mudou em mim. Com esse desejo comprei logo algum material de pintura pela internet e em 2013 e comecei treinando como aprendizado na arte, na pintura com a boca. Desde então, tenho me surpreendido muito comigo mesmo; é muito bom essa autodescoberta, pois, acreditando mais em mim, sei que posso e preciso aprender muito mais. Quero estudar e me aprofundar muito mais na pintura e crescer com isso, me fortalecendo como pessoa. Pois, quando estou pintando, percebo uma sensação de que o meu mundo difícil como tetraplégico vai se desligando de todo sentimento de dor, preconceito, luta difícil do dia-a-dia para manter-me com saúde e ganhando leveza colorida. Com isso, cada vez mais vejo possibilidades surgirem nos meus sonhos de vida.

O melhor é que também percebo que, quando estou pintando as pessoas me enxergam sem preconceito, "e nesse momento é que me sinto vitorioso”.

Todos os direitos autorais são reservados à Associação dos Pintores com a Boca e os Pés