segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

...Saudade e ilusão...


Viver adoçando os lábios com o sabor do amor
Transformando lamentos em sonhos
Lembranças em joias
Ouvindo a triste melodia da solidão
Um ritmo, o bater de meu coração
A chamar, gritar, acelerar
Ilusão fugaz, tento dizer
Em cada amanhecer
Em cada anoitecer
Mas meus olhos só refletem você
Liberdade perdida
Voou em minha mente a te procurar
Sem jamais encontrar
O brilho que um dia foi meu
Sussurro que se perdeu
Quem sou eu?
Estrela sem céu
Um borrão negro no papel
A espalhar, me falta o ar
Não, não posso explicar
Agora, apenas chorar
Pois sem você não tenho chão
Calor ou emoção
Preso na escuridão por tanto tempo
Sem um alento
Apenas um velho conhecido

Desespero, sofrimento

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

...O que sinto...

Tanto a dizer, nada a falar
Sinto-me como se estivesse diante do mar, vendo as ondas, ouvindo-as quebrar na rocha, sem poder tocá-las ou sentir o frescor que tanto preciso
Como se eu pudesse sentir e tocar uma bela rosa, mas não sentir o aroma que de alguma forma me lembraria o paraíso
A sensação divina de voar e o terror de não andar
Como se o futuro ou o destino tivessem sorrido e as lágrimas de incerteza não parassem de se lançar ao chão
Me sinto como grande, ao saber o que houve, ao tentar seguir
Me sinto como um pequeno, que continua erguendo sua própria torre para se isolar
Ouvindo a canção da natureza, ouvindo a saudação do céu
Temendo o fogo, sem saber se as brasas me alcançarão
Esta emoção divina aterrorizante, a glória de poder ver além e o saber que o além só trará o desespero
Me sinto como um grão de areia, assim sou, apenas um ser que ama
Apenas um ser que aqui está
Como eu não me sentira assim? E não posso nada mais...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

...Horror ao saber...

Olhando diretamente as chamas, vejo aquela figura sombria a surgir, talvez fogo, talvez algo semelhante à magia.
Sempre zombando, sempre me dizendo tudo que não posso.
Muitos chamam de karma, outros de desafio.
Apenas o que sei é que aqueles olhos continuam a me vigiar.
Trazendo o terror, um som assustador de ossos estalando e rangidos de dentes.
Agora que a mesa está sendo posta, sei que as lágrimas virão.
Mas os pecados não foram meus.
Sombrio e agonizante, como um violino rouco.
A sombra se aproxima.
Brilhando com aqueles olhos púrpura.
Permitindo-me ouvir os lamentos.
Mas aquele que mexe com a chama nunca sairá sem ser queimado.
E entre portas abertas e fechadas, serpentes a arder.
Não direi mais palavras, pois a vingança não é minha.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

...Elementos a destruir, elementos a salvar...

Ao abrir os olhos
Ao ouvir o sussurro dos ventos
Em meio à tempestade, furiosa, gritando lamentos e cólera, encontro-me numa batalha sem fim.
O som da tempestade desperta o terror e a vontade insuperável
Como se a catástrofe e as ruínas que o tempo deixou convocassem, desafiassem-me a reagir.
Não compreendo o destino, não acredito nele, não mais.
E assim, os ventos se tornam...
Um cenário ainda mais assustador
Obrigando a raiva, que como fogo tenta dominar o meu espírito semelhante à água.
E a água torna-se revolta, agredindo as chamas que ainda queimam, a vontade em mim.
Da colisão, da fusão, nascem novos pensamentos, emoções.
Deixando apenas o céu como testemunha, e a lua que sei que jamais me abandonará.
Brisa, entre os sonhos e a realidade, tornando todas as tempestades e transformações entre fogo e água, um belo bailar.
Entre as forças tão naturais, como o vento, entre a destruição e a saudade.
Brisa. A me levar, através do mar, lunar, um oceano de estrelas para cruzar.
Às vezes como deusa, outras como mortal, um espírito fugaz, fada celeste, vivendo a sorrir e quem sabe, um dia encontrar a estrela do meu sonhar.
O aroma que sempre senti, o olhar sempre a sorrir.

Primeiro desafio do meu primo Vinícius, construir um texto a partir de imagens escolhidas.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

...Como encontrar minha paz...

Será que no som das águas
No canto dos pássaros
Ao ver as nuvens
Contemplar a lua
Deitar-me à sombra de uma árvore e sentir a grama a me tocar
Aonde reside a paz?
Em meu coração?
Em minha mente?
Meu espírito?
Sinto-me perdido ao relento
Em meio à densas neblinas, separando-me do que é real
Esperando que o horizonte se abra e revele aquele lugar favorito
Onde as rosas ascendem imitando o mais belo brilho das estrelas
E o manto da noite a cobrir-me sorrindo e permitindo que os sonhos venham.
Ainda busco a minha paz
A natureza que me faz ser quem sou
De encontro em um belo vôo, o céu azul
E vendo de cima todo o resplendor do meu jardim
Preciso de você, pequeno paraíso
Onde as folhas de cerejeira cobrem o chão e deixam um cobertor branco e rosa
Um lugar que só eu posso ir, onde até as águas me cumprimentam
E um bom dia eterno vem como a brisa
Meu pequeno paraíso, protegido por fortes rochas
Adornado por belas flores
E que ao longe pode se ver picos de neve
Meu pequeno paraíso, perdoe-me por estar tanto tempo longe.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

...Como os lírios do campo...

Quando as trevas tomam, arrebatam, destroem e a esperança se torna tão frágil que mesmo os sonhos fugazes, se perdem no fundo das ilusões.
Tomando para si a paz, fazendo que a dor acorrente, escravize, enraíze no fundo do coração.
O tempo não importa, as lágrimas e a saudade predominam, perseveram.
A confusão que passou de um futuro em branco.
Juro que não irei desistir.
Juro que mesmo diante, que mesmo enfrentando todas essas feras, não temo a solidão.
Que venha um bom combate então, pois do nada, pois das cinzas ainda resta quem eu sou.

Esta é minha resposta à dor, como os lírios do campo, assim sou.

Imagem e texto: Thiago Ribeiro Santos

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

...Laços...

Em um piscar ousei sonhar
E prepotente, realizar
Sem saber que em cada laço existe um nó
Esperando sempre o melhor
Mas as voltas trazem ilusões
Reviravoltas em canções
Pois de que vale uma promessa se no fim há pontas soltas?
E como uma brincadeira, não se repete cada volta
O tempo não volta
Mas o nó ao final de cada laço em um entrelaço é apenas um nó.